Venâncio Aires e o mensalão

A revista Época desta semana traz em sua reportagem de capa uma celebração do mandado de prisão para os réus do mensalão como o início de uma nova era de nossa história republicana. Agora, finalmente, o Estado de Direito seria efetivo e para todos. Calma lá. Infelizmente não sou tão otimista assim. Como São Tomé, só acredito vendo o Zé no xilindró.

Não creio que o resultado do julgamento do mensalão seja uma transformação em si, mesmo porque ele ainda não acabou. Ela se insere mais no contexto de uma batalha centenária no Brasil, entre as forças da modernização e as da tradição. Nem precisa dizer que o PT e o seu socialismo conservador se enquadram na última categoria, defendendo o privilégio, o controle do indivíduo e o compadrio. A Paula Lavigne, o Fidel e o Renan agradecem.

Sendo hoje o dia da República, faz jus relembrar os ideais de um dos seus precursores, Venâncio Aires, de quem com muito orgulho sou aparentado. Venâncio Aires foi um dos fundadores dos clubes republicanos paulista e rio-grandense. Líder abolicionista, foi deputado e primeiro editor do jornal “A Federação”, de Porto Alegre, no qual expôs a sua visão dos ideais da República.

Para Venâncio Aires, a República do Brasil deveria ser liberal (manifesta na autonomia individual e na abolição da escravatura), impessoal (fundada no Estado de Direito) e descentralizada (organizada em uma Federação de entes estaduais autônomos). Venâncio Aires frisava, em complementação a esses princípios, a importância de que os homens públicos tivessem autoridade moral para o exercício do cargo. Veja bem: autoridade moral é muito mais do que simplesmente ficha-limpa, que nem bem pegou ainda no Brasil.

Se os mensaleiros forem, de fato, para a cadeia, talvez a gente tenha ficado um pouco menos distante do ideal dos fundadores da nossa república. Parece, infelizmente, que estamos mais perto de uma monarquia sindical, na qual ascendem os representantes do culto da ignorância, da falta de respeito às instituições e do nepotismo pelego que aparelha o Estado e avilta à nação. Mas a cadeia para os cardeais petistas é sem dúvida um passo. Talvez o primeiro. A ver.

ALMANAQUE_REPUBLICANO

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