Frankel

Sem jabá e sem q.i.

Sem jabá e sem q.i.

Dizia Nelson Rodrigues que toda a unanimidade é burra. Longe de mim discordar do velho anjo pornográfico, mas toda a regra tem sua excessão. E Frankel é uma delas. Frankel é uma unanimidade.

Frankel é o maior cavalo de corrida de todos os tempos. E não sou eu quem diz isso, cara leitora, são todas as instituições que julgam turfe no mundo, como a Timeform e a World Thoroughbred Racehorse Rankings. A carreira de Frankel foi meteórica: 14 corridas entre 2010 e 2012, todas com vitórias espetaculares. Sua performance no Clássio 2000 Guineas em 2011 foi considerada “um dos mais belos espetáculos das corridas britânicas”. Frankel se aposentou no começo deste ano, e de agora em diante só vai namorar. Estaria avaliado, segundo estimativas conservadoras, em 100 milhões de esterlinas (cerca de 400 milhões de reais).

Frankel é um puro-sangue inglês, originário dos estábulos Juddmonte Farms, de propriedade do Príncipe Saudita Khalid bin Abdullah. Seu treinador foi o legendário Sir Henry Cecil, tido por muitos como o melhor treinador de cavalos da história. Só mesmo alguém como ele para lapidar este diamante.

Desde potro, Frankel demonstrava uma habilidade física espetacular que, como sói acontecer, vinha acompanhada de um temperamento igualmente explosivo. Sir Henry Cecil sabia o que tinha em mãos: teria de prepará-lo com todo o cuidado, para que não se destruísse em sua própria energia. Imagine a leitora que cavalos são seres muito sensíveis, e até certo ponto frágeis mesmo. Se não aprendem a se controlar e a respeitar e confiar no treinador e no ginete, podem disparar e correr até o infinito, isto é, até a morte. São realmente diamantes, frágeis e fantásticos.

Um parêntesis. Com a meritocracia atualmente reinante no Brasil, temo que Frankel seria rotulado de “polêmico”. Com sua personalidade forte, ele não aceitaria dizer amém para todas as barbaridades do partido dominante, e seria automaticamente excluído das pistas. Além de jamais ser cogitado para o bolsa-feno. Seria uma espécie de Lobão do Turfe. Mas, divago.

Desnecessário dizer, Sir Henry Cecil lapidou este diamante melhor do que se poderia esperar. Sua filosofia é uma verdadeira lição de liderança e humildade, que usualmente caminham de mãos dadas: “gosto de pensar que levo jeito para entender os cavalos, que são eles que me dizem o que fazer na verdade”. Eis a simplicidade de um gênio.

A última notícia que tenho de Frankel é que vai muito bem obrigado, e teve seu primeiro affair no dia dos namorados deste ano, dia de São Valentin, na Europa, dia 14 de fevereiro. Genial também sob lençóis, de lá pra cá, nosso herói já teve 133 amantes. A cobertura sai pela bagatela de 125.000 esterlinas (cerca de 500.000 reais).

Frankel é sublime. Vê-lo correr é a sensação mais próxima que tive da de ver o Senna nas pistas. Deixo abaixo um vídeo do Clássico 2000 Guineas de 2011. Vale à pena conferir. Deus, como é lindo o mérito!

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