O PT e os pilares da sociedade

A principal diferença entre uma sociedade desenvolvida e uma subdesenvolvida reside na solidez e na qualidade das suas instituições. O curso da história contemporânea, nos últimos 200 anos, tem sido a construção de sociedades compostas de instituições impessoais, que visam à defesa das liberdades individuais contra a tirania. É somente em estado de liberdade que o ser humano pode desenvolver-se em seu máximo potencial.

Este curso não tem sido trilhado sem percalços. São inúmeros os exemplos na história recente em que as instituições são apropriadas por grupos identificados de poder, que as deturpam seja para fins pessoais, seja para a realização de histerias ideológicas que objetivam a destruição do ser humano como o conhecemos (vide os exemplos do comunismo e do nazismo). O resultado é sempre o mesmo: o horror.

Ao longo da última década, o PT vem consolidando seu projeto de poder pela degradação contínua das frágeis instituições que vínhamos tentando construir no Brasil. E nem poderia se esperar algo diferente, vez que para os comunistas o estado, a família, a igreja, a imprensa, etc., são instituições burguesas, e como tal devem ser eliminadas para dar lugar à ditadura do proletariado. Para eles, a única instituição que deve existir é o partido, como confluência do interesse da classe trabalhadora. Puro delírio psicótico.

O Estado de São Paulo fez, em editorial, uma excelente análise do projeto petista e da atual situação política no Brasil. Vale à pena a leitura: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-que-trama-o-pt-,1098987,0.htm

Na esteira do projeto de poder do PT, o Executivo foi aparelhado ideologicamente, o Legislativo foi esvaziado pelo mensalão, a igreja foi tomada pela teologia da libertação, a imprensa é dependente da publicidade oficial do governo, a família é desmoralizada pela erotização infantil de cartilhas escolares oficiais, e por aí vai. Os exemplos são inúmeros e todos no sentido de suprimir a liberdade individual e destruir as instituições “burguesas”.

Mas este projeto de poder do PT não foi totalmente consolidado. Há ilhas de resistência, como parcelas do Judiciário, por exemplo. O STF cumpriu seu papel constitucional no julgamento do mensalão e na prisão dos cardeais do PT, que agora investe sordidamente contra a Justiça e a pessoa do Ministro Joaquim Barbosa, pondo em risco o pouco que resta de moral da instituição.

E nisso o PT está sendo ajudado pela postura corporativa do Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, que criou uma crise constitucional ao recusar-se a dar cumprimento à decisão do STF de perda imediata do mandato dos deputados mensaleiros.

Walter Ceneviva em sua coluna de hoje na folha (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/walterceneviva/2013/11/1375537-a-crise-dos-poderes.shtml) fez uma análise jurídica muito apurada da situação. Em primeiro lugar, de acordo com o art. 102 da Constituição Federal, cabe ao STF, como guarda da Constituição, dar a última palavra sobre a interpretação da Carta. Em segundo lugar, conforme o art. 44 da Constituição, a Câmara dos Deputados não representa a totalidade do Poder Legislativo, composto também pelo Senado Federal, não podendo, portanto, opor-se à determinação constitucional de outro Poder da República. A Constituição Federal é clara. O Brasil não pode ter presidiários como representantes da Nação.

Este processo de erosão das instituições não é novo. Já vimos este filme antes. Ele é o tema central do ambiente político do entre-guerras, antes da ascensão do nazismo e da catástrofe da segunda guerra mundial.

Se recordar é viver, vale à pena revisitar a obra dos dadaístas da República de Weimar. Ao final deste post, reproduzo a tela “Os pilares da sociedade”, de George Grosz. A obra é de 1926, dois anos depois da publicação de “Mein Kampf” e 7 anos antes da ascenção de Hitler, em 1933.

Na tela, Grosz apresenta a imagem de uma sociedade em chamas, cujas instituições estavam completamente deturpadas. Vê-se ali um país comandado por quatro tipos de porcos proselitistas: o político, o magistrado, o jornalista e o sacerdote. Cada qual olhando para um lado diferente, inebriados pelo odor dos excrementos de suas mentes psicóticas. Preocupantemente similar ao que vivemos no Brasil de hoje.

A República de Weimar não foi capaz de conter o nazismo. Suas instituições – “os pilares de sua sociedade” -, ruiram e deram lugar ao Terceiro Reich. O resto da história a gente conhece. A pergunta é: os pilares da nossa sociedade serão capazes de conter o projeto de poder do PT?

Qualquer coincidência não é mera semelhança.

Qualquer coincidência não é mera semelhança.

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A mamãe troll

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Quem tem filhos pequenos no exílio sabe do que estou falando. Se de um lado a saudade da pátria, a distância da família e as barreiras linguísticas apresentem desafios imensos, de outro a possibilidade de se aventurar em uma outra cultura pelos olhos de uma criança pode ser uma experiência incrível.

E muitas vezes útil também. Crianças possuem uma resistência hercúlea a dormir. Mesmo com os olhinhos já pesados, elas resistem heroicamente a se entregar ao sono, exaurindo as últimas forças com que ainda conta o batalhão inimigo, no caso os pais, que depois de um dia pesado de trabalho só querem apressar a tarefa de ninar seus rebentos.

Ontem, já quase exaurido meu repertório de canções de ninar (com a exceção de “atirei o pau no gato”, porque tenho pena do pobre do bichano), deparei com uma belíssima canção de ninar nórdica, “A mamãe troll”, que a leitora poderá ouvir em vídeo no final deste post. A canção, como já indica o título, é prova de que fazer as crianças dormirem não é um desafio só de humanos. Talvez exija mesmo poderes sobrenaturais.

A canção conta a história de uma mamãe troll que, diante da dificuldade em pôr para dormir seus 11 filhinhos (pobre mamãe troll!), os amarra em seu rabo e decide cantar para eles uma música com as palavras mais bonitas que ela conheçe: “Hoajajajaj buff!”. Não, cara leitora, eu não compreendo a língua dos trolls e não sei o que significa isso, mas minha filha acha o som um barato. Vai entender. Melhor que Justin Bieber.

A canção faz parte da coletânea “Nu ska vi sjunga” (Agora a gente vai cantar), publicada em 1943, por iniciativa da compositora Alice Tégner (1864-1943), que foi pioneira em canções infantis na Suécia. Por ocasião de seu aniversário de 75 anos, Tégner estabeleceu um fundo, gerido pela Associação Sueca dos Professores, com o objetivo de incentivar o ensino de canções folclóricas na escola primária. A Associação conduziu uma ampla pesquisa nacional com as crianças, que enumeraram suas canções preferidas. O resultado foi publicado em um livro, que teve ilustrações de Elsa Beskow (1874-1953), uma das mais famosas autoras de histórias infantis na Suécia.

O folclore escandinavo é muito rico e bastante preservado. Isso se deve ao fato de que o cristianismo chegou relativamente tarde ao norte da Europa (por volta do século XII), e conviveu bem com a religião anterior, “asatro”, até a reforma protestante no século XVI. Com o romantismo, no século XIX, houve um grande interesse em se recuperar os antigos mitos e crenças nórdicas.

Os trolls, no caso específico, são seres da floresta, como o nosso curupira, por exemplo. Eles são muito feios e tem uma cauda longa. Adoram tudo o que reluz, e por isso guardam tesouros valiosíssimos. Reza a lenda que os trolls tinham o mau costume de trocar os seus bebês pelos dos humanos, o que somente poderia acontecer antes de as crianças serem batizadas.

Aqui a leitora poderá escutar a canção. Se ela não se provar útil na batalha pelo sono das suas crianças, pelo menos as fará rir com a estranhíssima língua da mamãe troll.

O liberal sueco

Jan Björklund é um cara gente-fina. Além de boa praça, ele é também Vice-Primeiro-Ministro, Ministro da Educação, Líder do Partido Liberal e pai de família. Não necessariamente nessa mesma ordem.

Este final de semana foi pesado para Jan. Entre sexta e domingo foi realizado a convenção anual do seu partido, a última antes das eleições gerais de 2014. Sim, os suecos também vão às urnas no ano que vêm.

Jan tem muito trabalho pela frente. A “Aliança”, que junta o partido liberal, o moderado, o do centro e os democratas-cristãos, governa a Suécia deste 2006 e está apanhando nas pesquisas para a oposição melancia,”verde-vermelha”, que junta o partido social-democrata, o verde, e o da esquerda (comunista). Jan precisa defender o legado histórico de seu partido para um eleitorado ávido por mudanças. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Conforme o Rodrigo Constantino afirmou em seu artigo “O Vale das Quimeras” (http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/historia/o-vale-das-quimeras/), é consenso aqui na Suécia que o alto nível de desenvolvimento econômico e social de que goza hoje o país é fruto das reformas liberais dos anos 1990 e 2000, e não do paternalismo social-democrata, que jogou o país na maior crise financeira da sua história.

No início dos anos 1990, o déficit público sueco havia explodido, fruto da expansão dos gastos do governo intensificada a partir dos anos 1960. Uma crise bancária aliada a um ataque especulativo contra a coroa sueca espalhava pânico no outono de 1992, ao ponto de o governo se ver forçado a elevar as taxas de juros a 500% para estancar a fuga de capitais do país. “O céu é o limite”, disse o então Presidente do Banco Central sueco, Bengt Dennis, em uma conferência de imprensa.

Em novembro do mesmo ano, o governo conservador de Carl Bildt (atual Ministro dos Assuntos Estrangeiros) iniciou uma série de reformas liberalizantes, baseadas no tripé saneador da economia: câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal. Novas medidas de liberalização do mercado de trabalho, redução da carga tributária e privatização seguiram-se nas décadas seguintes, o que imunizou a Suécia, de certa forma, contra a atual crise financeira.

As reformas liberais tinham como foco aumentar a autonomia do indivíduo. Hoje o cidadão sueco pode escolher livremente os seus médicos e a escola dos seus filhos, via o sistema de vouchers, o que não podia fazer nos anos 1970 (o sistema era estritamente vinculado à área de residência da pessoa, sem possibilidade de escolha).

O Partido Liberal sueco é agremiação com mais credibilidade perante o eleitorado em assuntos relativos à educação, igualdade de gênero e defesa. E por quê? Justamente porque o foco dos liberais está no indivíduo e na sua condição cotidiana.

Jan vai comandar um partido preparado para defender o seu legado, dentro da “Aliança”, precisamente nessas três áreas nas eleições de 2014. Os liberais querem um salário mais alto para os professores, menos impostos e mais igualdade no mercado de trabalho (via aumento da licença-paternidade, e não quotas para mulheres).

Para a leitora interessada em mais detalhes sobre a plataforma do Partido Liberal sueco, sugiro a leitura do discurso de Jan Björklund no congresso deste final de semana (http://www.folkpartiet.se/jan-bjorklund/tal/tal-av-jan-bjorklund-vid-folkpartiets-landsmote-i-vasteras-den-14-nov-2013/). O texto é em sueco, mas o google translator deve dar conta do recado.

Por fim, um testemunho pessoal sobre Jan. Na primavera deste ano, quando ia ao Brasil, dividimos o mesmo vôo até Frankfurt. Jan, acompanhado da esposa Anette e dos filhos Jesper e Gustav, veio logo atrás de mim na fila de embarque (única e longuíssima). Sentaram todos, algumas poltronas atrás de mim, na classe econômica. Quem dera 10% dos políticos brasileiros fossem como o liberal sueco: simples, humano e sério. Gente fina de verdade.

O futuro começa na sala de aula.

O futuro começa na sala de aula.

A transparência da sueca

Com o outono sueco a pleno vapor e as temperaturas despencando para zonas negativas não se vê mais muita transparência pelas ruas de Estocolmo. Salvo em algumas moçoilas aparentemente insensíveis ao frio, ávidas por mostrar atributos outros que não os intelectuais. Dói como dor de dente.

Faça calor ou faça frio, entretanto, há outro tipo de transparência que nunca abandona estas plagas nórdicas. Refiro-me à transparência pública, tanto individual quanto governamental.

Em tempos de wikileaks e google glass muito tem se discutido sobre transparência no Brasil, porém de uma maneira demasiado reducionista, restrita, no mais das vezes, ao mero acesso a documentos públicos. Estaria tudo resolvido com a Lei de Acesso à Informação, que para fazer valer parece que só mesmo com acesso ao Judiciário, o que esvazia o espírito da norma. Tudo para inglês ver.

Aqui na Escandinávia, o conceito de transparência é mais amplo. Ele se refere à visibilidade do processo de tomada de decisões políticas, que se dão em um jogo de negociações no qual as cartas são conhecidas e pré-definidas. As cartas no jogo parlamentar nórdico são as opiniões dos atores políticos (indivíduos, organizações, partidos e governo) sobre os temas que estão na agenda do momento.

O sistema funciona de maneira muito clara e em um nível escalonado. É mais ou menos assim: os políticos apresentam, antes de mais nada, suas opiniões pessoais sobre temas muito específicos, por exemplo a extensão do período de licença-paternidade. Depois, eles têm de negociar a posição de sua corrente partidária, cujo resultado pode ser diferente da posição individual do político. As posições das diversas correntes, por sua vez, são chamadas a formar a posição do partido, que se consolida nos seus congressos anuais. Consolidadas as posições partidárias (que podem ser muito diferentes da posição individual, e inicial, do político) passa-se para o jogo parlamentar. Ali, é comum a formação de dois blocos, de oposição e de situação. Cada qual tem de definir uma posição entre si (repare que já estamos em uma quarta posição, que não necessariamente se confunde com as três anteriores), para negociar propostas legislativas concretas no Parlamento.

Todo esse processo é acompanhado minuciosamente pela mídia e pelo eleitorado. Ou seja, todas os quatro níveis de posições e seus respectivos processos de formulação são transparentes e conhecidos. Se um político fica em cima do muro, ou apóia algo diametralmente oposto à sua biografia (alô Kátia Abreu!) ele perde credibilidade, e a resposta das urnas é duríssima. Aliás, a credibilidade dos políticos aqui é medida frequentemente nas pesquisas de opinião (Alô Datafolha!).

É essa a transparência que tem de ser cobrada de nossos políticos e partidos nas eleições de 2014. Qual a posição de PMDB, PSDB, PP e DEM sobre o salário dos professores, por exemplo? E mais: quais as posições de Aécio Neves, Marina Silva, Eduardo Campos e Dilma sobre a produtividade da indústria, ou sobre as prisões do mensalão? Político sem opinião é político sem credibilidade. Não merece o nosso voto. Queremos ver a transparência de nossos políticos em 2014. Talvez doa mais que dor de dente.

A sueca mostra (quase) tudo.

A sueca mostra (quase) tudo.

Venâncio Aires e o mensalão

A revista Época desta semana traz em sua reportagem de capa uma celebração do mandado de prisão para os réus do mensalão como o início de uma nova era de nossa história republicana. Agora, finalmente, o Estado de Direito seria efetivo e para todos. Calma lá. Infelizmente não sou tão otimista assim. Como São Tomé, só acredito vendo o Zé no xilindró.

Não creio que o resultado do julgamento do mensalão seja uma transformação em si, mesmo porque ele ainda não acabou. Ela se insere mais no contexto de uma batalha centenária no Brasil, entre as forças da modernização e as da tradição. Nem precisa dizer que o PT e o seu socialismo conservador se enquadram na última categoria, defendendo o privilégio, o controle do indivíduo e o compadrio. A Paula Lavigne, o Fidel e o Renan agradecem.

Sendo hoje o dia da República, faz jus relembrar os ideais de um dos seus precursores, Venâncio Aires, de quem com muito orgulho sou aparentado. Venâncio Aires foi um dos fundadores dos clubes republicanos paulista e rio-grandense. Líder abolicionista, foi deputado e primeiro editor do jornal “A Federação”, de Porto Alegre, no qual expôs a sua visão dos ideais da República.

Para Venâncio Aires, a República do Brasil deveria ser liberal (manifesta na autonomia individual e na abolição da escravatura), impessoal (fundada no Estado de Direito) e descentralizada (organizada em uma Federação de entes estaduais autônomos). Venâncio Aires frisava, em complementação a esses princípios, a importância de que os homens públicos tivessem autoridade moral para o exercício do cargo. Veja bem: autoridade moral é muito mais do que simplesmente ficha-limpa, que nem bem pegou ainda no Brasil.

Se os mensaleiros forem, de fato, para a cadeia, talvez a gente tenha ficado um pouco menos distante do ideal dos fundadores da nossa república. Parece, infelizmente, que estamos mais perto de uma monarquia sindical, na qual ascendem os representantes do culto da ignorância, da falta de respeito às instituições e do nepotismo pelego que aparelha o Estado e avilta à nação. Mas a cadeia para os cardeais petistas é sem dúvida um passo. Talvez o primeiro. A ver.

ALMANAQUE_REPUBLICANO

Herdeiro da Pampa Pobre

No último domingo foi dia dos país aqui na Suécia. Foi o meu primeiro na condição de pai. Comemoramos a data na capela local, onde a predicante, Johanna Keck, ostentando um divertido crucifixo de lego amarelo, celebrou uma missa interativa entre pais e filhos. Ao final, confraternizamos ao sabor de salsichas suecas, sob uma fina garoa de outono. Pelo cenário, bem poderia ter sido em Porto Alegre. Ou em Curitiba. Ou em Montevidéu.

 

A tônica do serviço foi na alegria de se encontrar o caminho de volta à Deus e no valor inerente a cada ser humano, como indivíduo em si. O sermão me fez lembrar de quando eu era criança e no Brasil daqueles tempos. Inevitavelmente comparei com o país que temos hoje e me senti um pouco como naquela música do gaúcho da fronteira: herdeiro de uma pampa pobre. O Brasil que vou deixar para minha filha é tão diferente daquele em que eu cresci, que às vezes não me reconheço mais nele.

 

O Brasil que eu conheci era um país com inúmeros problemas, mas onde as pessoas eram de uma gentileza infinita. Mesmo na pobreza a gente era de uma elegância e de uma dignidade ímpares, de fazer corar de inveja muito aristocrata europeu. Era o Brasil de Machado de Assis, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, dos Trapalhões. Era o Brasil do Tom Jobim e do malandro de sapatos brancos. Era um país com uma imensa esperança no futuro, com sede de liberdade e de ser parte do mundo moderno, da civilização ocidental. Não tinha como não se apaixonar por ele.

 

Esse Brasil infelizmente não existe mais. O Brasil de hoje é um país que se brutaliza a cada dia. Um país onde as liberdades individuais são sufocadas paulatinamente por um Estado agigantado e superburocratizado, a serviço da causa de um partido. Onde o indivíduo é minuciosamente controlado por uma teia de regulamentos, sem mais função que a de realizar o delírio stalinista de um grupo inebriado com o pequeno poder. É um país onde até o humor adquiriu um tom metálico, e as pessoas que antes a gente admirava passam agora por uma sombria transformação. De defensores da liberdade a defensores de censura, de delinquentes e de ditadores patéticos. O meu Brasil não é o Brasil da Paula Lavigne, do Black Bloc e do Lula.

 

E tampouco é este país que eu quero deixar para a minha filha. Estamos herdando, sim, uma pampa pobre. Mas junto com ela vem uma história – individual, familiar e coletiva -, que encerra os valores que nos definem e que temos de semear para que as próximas gerações herdem uma pampa mais rica. E esses valores são os valores da Civilização Ocidental: a liberdade individual, a família e a tradição judaico-cristã.

 

Há momentos em temos de assumir a responsabilidade pelo nosso futuro e pelo futuro do nosso país. É disso que trata este blog: da defesa dos valores que conformam a Civilização Ocidental contra toda a tentativa de desumanizá-la, seja por meio da burocracia, do autoritarismo ou do mensalão.

 

Se você acredita, como eu, que o Brasil pode voltar a ser um país livre e digno, onde a gente tenha vontade de viver e criar os nossos filhos, espero que você encontre aqui um espaço de diálogo e intercâmbio de idéias. A gente tem muito para conversar.